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Muitas pessoas desconhecem isso, mas existe uma enorme diferença entre fazer terapia efetivamente e ir à terapia. Existe a pessoa que faz terapia durante 50 minutos uma vez por semana e a pessoa que faz terapia de forma efetiva.

É muito comum atender pessoas que vão regularmente à terapia uma vez por semana e até outras que faltam bastante e ouvir elas reclamarem que não veem diferença com a terapia. Mas para você conseguir resolver aquilo que te incomoda é necessário investimento e com isso quero dizer que é preciso que você se entregue realmente ao processo psicoterapêutico, o que não é fácil porque demanda um grande esforço e exige também entrar em contato com sentimentos desagradáveis. E o que seria esse tal “investimento”? Seria você continuar refletindo sobre aquilo que te aflige depois da sua sessão com o psicólogo, pensar em formas de resolver o que te incomoda e continuar trazendo para o seu atendimento o que refletiu durante a semana. Conseguir fazer isso não é fácil porque estamos em um mundo onde apenas o pensamento que calcula é valorizado. Esse pensamento calculante é aquele que busca saber a qualquer custo a finalidade e se preocupa com a eficiência de tudo, diferente do pensamento que reflete e, dessa forma, se demora sobre as questões tentando entendê-las. Com isso não quero desmerecer a forma de pensar que calcula as situações, há momentos em que ela é necessária, porém é preciso avaliar que momentos são esses, quando que pensar dessa forma lhe fará bem. Claro que quem vai frequentemente à terapia mas não reflete sobre os assuntos fora dali também tem chances de encontrar soluções para o que incomoda, porém quem consegue refletir sobre suas queixas depois do atendimento acaba se aprofundando com maior intensidade na missão de saber mais sobre si mesmo e é nesse momento que a psicoterapia age de maneira mais efetiva. Também acontece da pessoa ir às sessões com frequência, continuar refletindo sobre o seu problema depois dos atendimentos e reclamar que já se passou algum tempo e que não viu nenhuma mudança desde que começou. A questão aqui é que é preciso ter paciência, mas pedir isso no nosso tempo onde, por exemplo, as notícias chegam na internet em um piscar de olhos parece quase um pecado. Para lidar com o que te incomoda é necessário se demorar sobre os seus incômodos, tanto que “clínica” vem de “debruçar-se”.

Portanto, é preciso se questionar sobre o que te faz evitar pensar sobre o seu problema. Muitos acham que “não deve ser normal conversar consigo mesmo”, mas a ideia é essa, converse com você e se pergunte, por exemplo, o que te incomoda tanto a ponto de querer fugir a todo custo de pensar naquilo que te preocupa, pense sobre o que foi discutido na sua sessão com o psicólogo e traga para o seu atendimento o que você refletiu. Se você ficar tentando sempre fugir e se ocupar muito para se distrair do que te aflige, isso continuará te afligindo, então tente fazer da sua mente um lugar melhor para você viver, afinal essa será sua moradia até o fim da vida.

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