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É muito comum procurar terapia esperando que ela seja como ir ao médico, onde se sente algo e aquilo será curado, ou seja, eliminado. Dessa forma, o psicólogo deveria descobrir a causa do sofrimento psicológico, eliminar esse obstáculo ao funcionamento normal do organismo e pronto, assim estaria resolvido o problema.

 O pensamento que predomina hoje é que estar bem psicologicamente significa não se abalar com nada. E em situações extremas, como a morte de alguém querido, por exemplo, a impressão que eu tenho é que há um senso comum de quanto tempo se é permitido ficar triste por esse acontecimento e esse tempo costuma ser de poucos dias. Não é mais aceitável ter o seu próprio tempo para tentar entender o que lhe aconteceu ou o que você fez, afinal, estamos no mundo da rapidez, da prontidão e do sucesso como algo a se alcançar, então é sinal de sucesso “encarar positivamente” o que lhe incomoda e fazer isso o mais rápido que for possível.

O problema é que esse ideal de bem-estar é inalcançável, faz parte da vida se abalar com o que lhe incomoda e lidar com isso ao seu tempo, do seu modo. O papel da psicoterapia nisso é ajudar a pessoa a traçar (ou redefinir) o seu próprio mapa, seu caminho para lidar com o que a incomoda. O psicólogo não tem de antemão um mapa pronto, uma cura a ser alcançada, a própria pessoa que vai mostrando o que é possível para ela ou não, ou seja, o caminho se constrói ao longo da terapia.

Esse caminho pode ser feito e refeito no futuro. É sempre uma possibilidade fazer terapia mais de uma vez sobre um mesmo assunto e isso não significa que se fracassou em lidar com aquilo. Não viemos ao mundo previamente definidos, dessa forma pode-se entender que cada pessoa se constitui a partir das suas escolhas ao longo da vida. Se você volta a sofrer com algo que havia conseguido lidar no passado pode ser porque hoje se relaciona com isso de outra forma e isso voltou a lhe causar incômodo.

 Portanto, não espere que a cura em psicoterapia seja algo pronto e definitivo esperando por você ao final da terapia como um pote no final do arco-íris. Nem sempre o que vai fazer a pessoa se sentir melhor é uma mudança, a pessoa pode perceber aquilo que a incomoda e aceitar isso. E não se deve encarar essa possibilidade como um fracasso, o importante é conseguir refletir sobre aquilo que lhe incomoda e dessa forma pode-se ficar mais atento à forma como se vive.

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